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CHICO BUARQUE É O 1º MÚSICO A GANHAR O PRÊMIO CAMÕES

Foi anunciado na última terça-feira (21/05), pela presidente da Biblioteca Nacional, Helena Severo na Sede da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro o nome do vencedor do Prêmio Camões 2019, um dos maiores reconhecimentos da literatura em língua portuguesa.

Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

O vencedor do título e de 100 mil euros da 31ª edição do prêmio foi o cantor e escritor brasileiro Chico Buarque. O júri decidiu o ganhador após uma reunião de quase duas horas e era formado por representantes do Brasil, de Portugal e de países africanos de língua oficial portuguesa.

A Cerimônia para entrega do prêmio ainda não tem previsão de data para acontecer.

O Prêmio Camões de Literatura foi criado em 1988 e tem o objetivo de reconhecer um autor de língua portuguesa que tenha “contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural” do idioma através de seu conjunto da obra.

Chico agora se torna o 13º brasileiro a fazer parte de um seleto grupo de grandes nomes como Jorge Amado (1994) e os portugueses José Saramago (1995) e António Lobo Antunes (2007), entre outros.

“Fiquei muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar”, afirmou Chico Buarque em nota, em referência ao último vencedor brasileiro. O autor de “Lavoura arcaica” e de “Um copo de cólera” foi reconhecido em 2016.

Conhecido principalmente como um dos maiores nomes da MPB, Chico Buarque conseguiu sucesso também como dramaturgo e como escritor. Além de ganhar os prêmios Jabuti de melhor livro do ano por “Leite Derramado” e por “Budapeste”, também foi ganhador como melhor romance com “Estorvo”.

“Os textos para teatro, as óperas são de uma qualidade sensacional. Assim também são os romances. Portanto é uma obra no seu conjunto que justifica está nossa decisão”, afirma o jurado português Manuel Frias Martins, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

“Ele não era o único nome, mas o Chico Buarque reúne uma universalidade que faltava a outros candidatos. Universalidade de tocar em várias culturas. E isto dava ao Chico um consenso quase natural. Foi relativamente fácil chegar ao nome dele.”

Para o jurado brasileiro Antônio Carlos Hohlfeldt, jornalista, escritor, professor universitário, político e presidente da Fundação Theatro São Pedro, em Porto Alegre, é impossível contar a história do Brasil entre os anos 1960 e 1990 sem conhecer a obra de Chico Buarque.

“A variedade de produção do Chico também foi importante. Ele tem a poesia, a dramaturgia e os romances. Particularmente, eu não sou muito fã dos romances, mas é indiscutível que um poema como construção, que trabalha com proparoxítonas rimadas, é um negócio extraordinário. É das coisas mais difíceis de fazer em língua portuguesa. Assim como outras tantas contribuições que o Chico tem, com penetração em todos esses países.”

Jurados do Prêmio Camões 2019

O júri de 2019 foi composto por Clara Rowland e Manuel Frias Martins, de Portugal, Ana Paula Tavares, de Angola, Antonio Cicero Correia Lima e Antônio Carlos Hohlfeldt, do Brasil, e Nataniel Ngomane, de Moçambique. O anúncio do ganhador acontece alternadamente no Brasil e em Portugal.

Veja abaixo as principais obras literárias e de teatro de Chico Buarque:

  • “Chapeuzinho amarelo” (Autêntica), de 1970; livro infantil com ilustrações de Ziraldo
  • “Fazenda modelo” (Civilização Brasileira), de 1974; novela
  • “Gota d’água” (Civilização Brasileira), de 1974; peça de teatro
  • “A bordo do Rui Barbosa”, de 1981; poemas
  • “Estorvo” (Companhia das Letras), de 1991; romance
  • “Benjamin” (Companhia das Letras), de 1995; romance
  • “Budapeste” (Companhia das Letras), de 2003; romance
  • “Tantas palavras” (Companhia das Letras), de 2006; todas as letras
  • “Leite derramado” (Companhia das Letras), de 2009; romance
  • “O irmão alemão” (Companhia das Letras), de 2014; romance

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