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Menino de 10 anos faz vaquinha virtual para conseguir estudar na Escola do Bolshoi

Jonathan foi selecionado para o curso de oito anos, em Joinville

Quando Jonathan de Araújo, 10 anos, era bem novinho, o policial militar Josué dos Santos, 53, cansava de pedir para o filho tomar cuidado. O menino, cheio de flexibilidade, adorava fazer espacates – aquela tradicional abertura de pernas, conhecida como ‘escalar’. Josué tinha medo que o pequeno se machucasse. 

O que nenhum dos dois sabia é que a flexibilidade do corpo de Jonathan iria revelar, alguns anos mais tarde, um potencial do qual não faziam ideia. No próximo dia 21 de janeiro, o menino, a mãe e a irmã embarcam para Joinville, em Santa Catarina, para começar um curso com duração de oito anos na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Fundada em 2000, a instituição é a primeira e única extensão do famoso balé russo de Bolshoi e sua aclamada escola em Moscou, no mundo. 

Para viajar e bancar os primeiros custos por lá, a família do garoto precisa de ajuda financeira. A Associação Classista de Educação e Esporte da Bahia (Aceb) se mobilizou para lançar uma campanha de financiamento coletivo – uma ‘vaquinha’ virtual, lançada nesta segunda-feira, 7, que tem como meta arrecadar R$ 10 mil até o dia 21, data da viagem. Para fazer doações ou saber mais da campanha, visite o link da vaquinha. 

Primeiro contato com o balé

Até agosto do ano passado, Jonathan nunca tinha sequer tido contato com o balé oficialmente. Naquele mês, porém, acompanhou os pais e a irmã de 14 anos, Samanta, numa seleção de canto que ela faria, no Hotel Fiesta. Na ocasião, acontecia também seleções para outras escolas, como a do Bolshoi. 

No segundo dia, fase seguinte da seleção de Samanta, a família chegou atrasada e a menina foi eliminada do processo seletivo. Mas a quantidade de crianças que estava ali para participar do Bolshoi chamou atenção dos pais. 

Jonathan entrou sozinho – os pais ficaram do lado de fora. Lá, encarou uma banca com cerca de dez professores do Bolshoi. “Eu fiz tudo certinho, como eles mandaram. Estou animado e aprendendo balé, não sabia nada antes”, contou, tímido. 

Empréstimos

O menino avançou para outras três seletivas, que aconteceram em dias seguidos, em Joinville. “Tomei empréstimo de banco, fiz um sacrifício para mandar ele e a mãe para Joinville, para poder competir. Tomei um empréstimo de R$ 6 mil”, revelou o pai, Josué, que é subtenente na PM.

Quando o resultado saiu, aproximadamente 15 dias depois, mais uma dificuldade. A família precisava de uma nova viagem a Santa Catarina, porque os filhos tinham que ser matriculados em escolas estaduais até novembro. Para cumprir a exigência, Josué conseguiu milhas emprestadas com uma amiga e parcelou o valor que faltava para pagar a viagem.

Agora, a família se organiza para se mudar de vez. Jonathan vai morar lá com a mãe e a irmã Samanta. Josué vai continuar na Bahia, por causa do trabalho, com a filha de 18 anos.

Nesta segunda-feira , 7, a Aceb se reuniu com entidades representativas dos policiais militares do estado para ajudar a arrecadar fundos.

“Incentivamos outras entidades a colaborar com esta causa tão nobre e às pessoas de bom coração, estimulamos que participem da vaquinha virtual que estamos organizando”, afirmou a presidente da Aceb, Marinalva Nunes.

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