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COM VAQUINHA ONLINE FOTÓGRAFO ESPERA VIABILIZAR PARTICIPAÇÃO EM FEIRA NOS EUA

O fotógrafo João Victor Medeiros, de Juiz de Fora, quer muito trabalho nas próximas semanas. Imagens dele foram selecionadas para participar da “The Other Art Fair“, em Chicago (EUA), em setembro.

Para conseguir os R$ 16 mil que vão viabilizar a viagem e a participação no evento, ele diversificou as possibilidades de arrecadar dinheiro.

 

“Além da vaquinha online, também estou vendendo reproduções de minhas fotografias e aceitando encomendas de colagem. Em breve, lançarei uma rifa junto à venda de doces e vou tentar a inscrição no ‘Circula Minas’, edital da Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais que visa financiar viagens de artistas do Estado para expor ou estudar”, disse Medeiros

 

O jovem de 21 anos, estudante da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), comentou sobre o gosto pela fotografia, como se inscreveu no evento e as expectativas de estar lá.

 

“Dessa magnitude, é a primeira feira. Estou ansioso, pois será uma grande oportunidade de conhecer novos artistas, além de ser visto por bons curadores de arte. Pode ser um primeiro passo para coisas ainda maiores”, comentou.

 

A “The Other Art Fair” é uma feira artística realizada em diversas cidades, como Londres e Bristol, na Inglaterra, e Melbourne, na Austrália. Nos Estados Unidos, haverá eventos em Los Angeles, Brooklyn e em Chicago entre 28 e 30 de setembro no MANA Contemporary.

 

“É promovida com foco em artistas emergentes, que ainda não estão inseridos no circuito de arte tradicional como os grandes museus e galerias. Cerca de 200 artistas devem expor por lá este ano. Meu trabalho foi selecionado através de uma submissão que tomei conhecimento pela minha mentora Renata Caetano, que disse que acreditava que minhas fotos cabiam na proposta”, explicou João Victor.

 

Os recursos serão usados para pagar o stand para expor as obras, design e iluminação. E também o custo da impressão em fine art e emolduramento das fotos, além de gastos com passagem e alimentação. Isso porque ele encontrou formas de reduzir os gastos.

 

“Minha estadia deve ser feita de forma gratuita via ‘couchsurfing’ [rede social que faz a ponte entre turistas e locais de hospedagem], pois queria que a vaquinha ficasse a mais econômica possível, além de poder experienciar três dias na casa de um local. Até o momento, a previsão é de expor nove fotografias em tamanho 30×40.  Ainda estou decidindo o tema, mas provavelmente será minha série sobre feiras livres”, explicou.

 

Ele também pretende levar algumas impressões mais baratas de outras fotografias.

 

“Além de curadores de arte, também circulam muitas famílias e visitantes. Então, esse formato de impressões mais em conta torna as obras mais acessíveis de se adquirir”, afirmou.

 

Para João Victor, mais que a chance de expor o trabalho, é uma possibilidade de ampliar o aprendizado com profissionais da área que ele ama.

 

 

“Serão três dias de evento, três dias que podem mudar minha vida como artista. Aliás, já vem mudando. Estar em um espaço dessa magnitude abre os panoramas da nossa perspectiva enquanto artista no terceiro mundo. Como fotógrafo, será excelente estar com outros colegas de profissão e um público de uma diferente realidade, compartilhando uma nova visão sobre o que apresentarei”, analisou.

 

João Victor contou que o interesse pela fotografia começou pelo cinema. E as pesquisas o levaram até as formas de registrar imagens.

 

“Com uns 14 anos e acompanhando conversas de uns amigos mais velhos, eu comecei a pesquisar filmes e ir me aprofundando, descobrindo que gostava de imagem, em como aquilo era produzido. Então comecei a consumir bastante cinema, filmes fora do circuito comercial. No meio desse caminho, percebi que o meu interesse pelas imagens, luz, cor, era designado à função de diretor de fotografia”, disse.

 

A percepção de que era isso que queria fazer da vida veio por meio de um empréstimo, como lembra João Victor.

 

 

“Em 2014, eu participava de um coletivo de hip hop onde havia fotógrafos. Em um evento deste coletivo, um desses fotógrafos, o Oldi, levou o flash novo que tinha comprado, um flash que virou meio que coletivo e todo mundo usou depois. Nesse dia, eu pedi a ele para fotografar e, pelos estudos de cinema, eu já tinha uma noção básica de linguagem, foco, planos, essas coisas. Acho que fui bem e fui embora para casa pensando: ‘é isso'”, lembrou.

 

Em 2015, o estudante comprou a própria câmera e se tornou um contador de histórias através das imagens.

 

“A partir desse ponto, fui conhecendo mais fotógrafos, percebi que gostava de contar histórias, de estar em contato com pessoas e me aprofundei na vertente da fotografia documental. Aspectos técnicos mesmo, como ISO, abertura, velocidade, eu só fui saber mesmo no início de 2016.”

 

João Victor revela que a vida pauta os temas que ele mais gosta de registrar e o quanto espera contribuir para mudar o olhar de quem olhar para suas fotos.

 

 

“Nas minhas imagens, gosto muito de fotografar tudo que envolve o corpo: trabalho, dança, tudo que expresse vida. Não há coisa melhor que comer, dançar, fazer amor etc. Como trabalho muito próximo a grupos marginalizados, quero mostrar que essas pessoas também sorriem, se apaixonam, se divertem. Porque, geralmente, as histórias contadas sobre elas estão cobertas de estereótipos, miséria, violência. Não pretendo ser salvador de nada. Apenas contribuir da maneira que posso para mudanças que acredito que sejam necessárias”, garantiu.

 

Segundo ele, o fato de ser selecionado para o evento internacional já trouxe resultados imediatos.

 

“Já é possível sentir um certo “respeito” vindo das pessoas. O trabalho continua o mesmo, o olhar das pessoas parece ter mudado um pouco. Isso é maravilhoso e incentivador. Sou grato”, afirmou.

 

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Sobre Daniel Pereira

Um aquariano que vive com os pensamentos no futuro mas tem grande apego com o passado. Apaixonado por arte e Comunicação. Seu maior defeito é fazer mil coisas ao mesmo tempo a ponto de não ter tempo pra mais nada e mesmo assim vive criando coisas novas pra fazer.

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