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FLIP 2018 HOMENAGEARÁ HILDA HILST E TERÁ FERNANDA MONTENEGRO

Desde 2003, a Flip oferece todos os anos em Paraty uma experiência única, permeada pela literatura. Sempre em conexão com a cidade que a recebe, a festa é mais do que um evento, é uma manifestação cultural. Numa interlocução permanente entre as artes, propaga vivências focadas sobretudo na diversidade.

Nesta 16ª Edição da Festa Literária que ocorrerá de 25 a 29 de julho, a autora homenageada será Hilda Hilst e reunirá 33 grandes nomes, sendo 17 mulheres e 16 homens. Além de escritores, brasileiros e estrangeiros, a lista de convidados incluirá também outras categorias, como artistas performáticos, atrizes, cineastas, compositores, fotógrafos e sonoplastas.

Uma notícia não muito boa divulgada por Mauro Munhoz, da Casa Azul que organiza o evento, A Flip de 2018 terá novamente o orçamento diminuído. No ano passado a verba chegou a R$ 5,7 milhões, dos quais R$ 3,7 milhões de investimento direto na festa. A expectativa dos organizadores, quando os números fecharem, é de uma nova diminuição no valor total, entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, preservado o valor investido no evento.

“Faz cinco anos que o dinheiro investido em cultura vem diminuindo. Com a Flip não foi diferente. Nosso orçamento vem diminuindo na ordem de um milhão por ano. O lado bom disso é que a gente é obrigado a procurar parcerias”, diz Munhoz

Mudanças prometem marcar a Flip de 2018, como o fato da programação principal sair da igreja e ir para um espaço ao lado dela, em um dos cantos da praça da matriz. Esse novo espaço terá capacidade para um público de 500 pessoas, considerado um número ideal para acompanhar as mesas.

Como cerca de 10% das entradas são direcionadas à população de baixa renda e estudantes, devem ser colocados à venda, a partir do fim do mês, em torno de 450 ingressos custando R$ 55,00 a inteira.

A jornalista Josélia Aguiar é a curadora da Flip 2018

 

A Jornalista Josélia Aguiar está pela segunda vez à frente do evento e afirma que tanto o equilíbrio entre os gêneros como a mistura interdisciplinar têm como objetivo reforçar o caráter artístico e plural de sua curadoria.

“Esta Flip é muito diferente da do ano passado. Esta festa é mais íntima, mais voltada para dentro. Penso muito a programação a partir dos autores. Com a quantidade de lançamentos e de novos autores nacionais e estrangeiros, é importante ter um critério próprio e não apenas espelhar o que o mercado editorial coloca nas lojas e os cadernos de cultura publicam”, diz Josélia.

A programação internacional novamente traz autores inéditos ou ainda pouco conhecidos no país, como a franco-marroquina Leila Slimani, que ganhou o Goncourt em 2015 com o impressionante “Canção de ninar” (Tusquets), e a romancista italiana de origem somali Igiaba Scego, autora do pungente “Adua” (Nós).

Também participarão da Flip o historiador britânico Simon Sebag Montefiore, que assina biografias best-sellers de Stálin, dos Romanov e de Catarina, a Grande; e o escritor egípcio André Aciman, do livro que deu origem ao filme homônimo “Me chame pelo seu nome” publicado no Brasil pela Editora Intrínseca.

No plano nacional, o contraste se dá entre veteranos e estreantes. Assim, o mestre do conto Sérgio Sant’Anna e um leitor seu, o estreante Gustavo Pacheco, são pares perfeitos. Do mesmo modo, a portuguesa Maria Teresa Horta, nome forte da literatura ibérica, e as brasileiras Júlia de Carvalho Hansen e Laura Erber, mais novas no âmbito da poesia, discutirão o gênero.

Por fim, o americano Colson Whitehead, vencedor do Pulitzer, e o brasileiro Geovani Martins, que também acaba de lançar o primeiro livro, falam sobre a origem comum nas periferias de seus respectivos países.

A união de diferentes gerações se repete em outras disciplinas, além da literatura. Como, por exemplo, a presença da atriz Fernanda Montenegro, que vai lançar sua Fotobiografia na festa, e também participará da mesa de abertura no dia 25 de Julho ao lado da compositora Jocy de Oliveira.

A atriz Fernanda Montenegro lançará sua Fotobiografia na Flip 2018

 

Outro exemplo é a escalação da cineasta brasileira Gabriela Greeb e do sonoplasta português Vasco Pimentel para a segunda mesa da programação, no dia 26 de julho, que coloca em perspectiva as gravações que Hilda Hilst deixou em fitas magnéticas datadas dos anos 1970.

Como aconteceu no ano passado com Lima Barreto, a homenageada deste ano, Hilda Hilst, inspira boa parte das 18 mesas do programa principal, a partir de temas caros à obra da autora, como o amor, o sexo, a morte, Deus, a finitude e a transcendência.

A ordem do dia também estará presente, em temas atuais e candentes, como o racismo, o feminismo, a violência contra a mulher, a discriminação por identidade sexual, a imigração e a herança do colonialismo, a atual cena política e social do Brasil e do exterior.

 

VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

 

Quarta-feira, 25 de julho

20h | Mesa 1 | “Sessão de abertura: Hilda, Fernanda e Jocy”, com Fernanda Montenegro e Jocy de Oliveira

Três artistas geniais da mesma geração celebram a arte mais transgressora: Hilda Hilst, homenageada da Flip 2018, Fernanda Montenegro, uma das maiores atrizes brasileiras, e Jocy de Oliveira, pioneira na música de vanguarda hoje dedicada à ópera multimídia.

 

Quinta-feira, 26 de julho

10h | Mesa 2 | “Performance sonora”, com Gabriela Greeb e Vasco Pimentel

A voz, a escuta e as divagações literárias e existenciais de Hilda Hilst registradas em fitas magnéticas na década de 1970 são apresentadas pela cineasta Gabriela Greeb e o sound designer português Vasco Pimentel.

 

12h | Mesa 3 | “Barco com asas”, com Júlia de Carvalho Hansen, Laura Erber e Maria Teresa Horta (em vídeo)

Esse diálogo inusitado reúne, por vídeo, um grande nome da poesia de Portugal do último meio século e, em Paraty, duas poetas brasileiras influenciadas pela lírica portuguesa que têm pontos em comum com Hilda Hilst.

 

15h30 | Mesa 4 | “Encontro com livros notáveis”, com Christopher de Hamel

A religião, a magia, a luxúria e a leitura na época medieval se apresentam nas páginas do Evangelho de Santo Agostinho, do Livro de Kells e de Carmina Burana, comentadas pelo maior especialista do mundo nesses manuscritos.

 

17h30 | Mesa 5 | “Amada vida”, com Djamila Ribeiro e Selva Almada

Da perda | performance de Bell Puã, slammer pernambucana, a partir de tema de Hilda Hilst.

Uma ficcionista argentina que escreveu sobre histórias reais de feminicídio e uma feminista negra à frente de uma coleção de livros conversam sobre como fazer da literatura um modo de resistir à violência.

 

20h | Mesa 6 | “Animal agonizante”, com Sergio Sant’Anna e Gustavo Pacheco

Um grande mestre da literatura brasileira que abordou o desejo, a solidão e a morte relembra sua trajetória ao lado de um leitor seu e autor estreante elogiado pela crítica portuguesa com histórias de humanos e outros primatas.

 

Sexta-feira, 27 de julho

10h | Mesa 7 | “Poeta na torre de capim”, com Ligia Fonseca Ferreira e Ricardo Domeneck

A falta de leitores e o silêncio da crítica, como reclamava Hilda Hilst: para esse debate, encontram-se a grande especialista no poeta negro Luiz Gama e um poeta e editor atento a nomes ainda fora do cânone, como Hilda Machado, que morreu inédita em livro.

 

12h | Mesa 8 | “Minha casa”, com Fabio Pusterla e Igiaba Scego

Fazer literatura tendo uma língua comum – o italiano – e diferentes aportes, fronteiras e paisagens geográficas e literárias: nesse diálogo, reúnem-se o poeta de um país poliglota, que é tradutor do português, e uma romancista filha de imigrantes da Somália, que escreveu sobre Caetano Veloso.

 

15h30 | Mesa 9 | “Memórias de porco-espinho”, com Alain Mabanckou

O absurdo e o riso, Beckett, culturas africanas, escrita criativa e crítica da razão negra: a trajetória e o pensamento de um poeta e romancista franco-congolês premiado se revelam nessa conversa com dois entrevistadores.

 

17h30 | Mesa 10 | “Interdito”, com André Aciman e Leila Slimani

Do desejo | performance do escritor e artista visual paulista Ricardo Domeneck a partir de tema de Hilda Hilst.

O exercício da liberdade de escrever e a escolha de temas tabu ou proibidos – a exemplo do homoerotismo, da sexualidade feminina e da religião —são as questões tratadas nesse diálogo entre dois romancistas, um judeu americano de origem egípcia e uma francesa de origem marroquina.

 

20h | Mesa 11 | “A santa e a serpente”, com Eliane Robert Moraes e Iara Jamra

A obra de Hilda Hilst em poesia e prosa é vista tanto em sua dimensão corpórea quanto mística por uma ensaísta que atua na fronteira entre a literatura e a filosofia, enquanto são feitas leituras por uma atriz que encarnou a sua personagem mais famosa – Lori Lamby.

 

Sábado, 28 de julho

10h | Mesa 12 | “Som e fúria”, com Jocy de Oliveira e Vasco Pimentel

A escuta e a criação de universos sonoros: para esse diálogo, encontram-se uma das pioneiras da música de vanguarda no país, hoje dedicada à ópera multimídia, e um sound designer português – os dois conhecidos pelo rigor e pelo preciosismo.

 

12h | Mesa 13 | “O poder na alcova”, com Simon Sebag Montefiore

Historiador britânico best-seller que publicou biografias de Stálin, dos Romanov e, agora, de Catarina, a Grande, conta, nessa conversa com dois entrevistadores, como faz para retratar figuras centrais da política em seus pormenores mais íntimos.

 

15h30 | Mesa 14 | “Obscena, de tão lúcida”, com Isabela Figueiredo e Juliano Garcia Pessanha

Uma romancista portuguesa nascida em Moçambique que tratou de temas como o racismo e a gordofobia se encontra com um narrador de gênero híbrido e filosófico para discutir a escrita de si, os diários e as memórias, o corpo e o desnudamento.

 

17h30 | Mesa 15 | “Atravessar o sol”, com Colson Whitehead e Geovani Martins

Cantares do sem nome | performance do poeta e artista visual maranhense Reuben da Rocha a partir de tema de Hilda Hilst.

O americano vencedor do Pulitzer com um romance histórico sobre escravizados que construíram sua rota de fuga se encontra com um estreante que, da favela do Vidigal, inventa com liberdade seu jeito de narrar e usar as palavras.

 

20h | Mesa 16 | “No pomar do incomum”, com Liudmila Petruchevskáia

Um dos grandes nomes da literatura russa moderna, comparada a Gogol e Poe por seus contos de horror e fantasia que não dispensam o teor político, relembra sua trajetória proibida por décadas no regime stalinista, hoje aclamada de Moscou a Nova Iorque.

 

Domingo, 29 de julho

10h | Mesa Zé Kleber | “De malassombros”, com Franklin Carvalho e Thereza Maia

Um narrador do sertão baiano que abordou a mitologia da morte em seu premiado romance de estreia se encontra com uma folclorista que recolheu histórias orais de Paraty, em um diálogo sobre o território e seus encantados.

 

12h | Mesa 17 | “Sessão de encerramento | O escritor e seus múltiplos”, com Eder Chiodetto, Iara Jamra e Zeca Baleiro

Uma atriz, um compositor e um fotógrafo que fizeram obras baseadas em Hilda Hilst relembram os encontros com a autora, o processo de criação e as marcas que a experiência deixou em suas trajetórias.

 

15h30 | Mesa 18 | “Livro de Cabeceira”: Autores da Flip 2018 leem trechos de seus livros preferidos, em uma sessão conduzida por Liz Calder.

 

Sobre Daniel Pereira

Um aquariano que vive com os pensamentos no futuro mas tem grande apego com o passado. Apaixonado por arte e Comunicação. Seu maior defeito é fazer mil coisas ao mesmo tempo a ponto de não ter tempo pra mais nada e mesmo assim vive criando coisas novas pra fazer.

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