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FOTÓGRAFO BRASILEIRO PERDE PRÊMIO QUE O ACUSA DE FRAUDE

O júri do concurso de fotografia Wildlife Photographer of the Year desclassificou um concorrente premiado na última edição do certame ao descobrir que sua foto mostrava um animal empalhado. O Museu de História Natural de Londres, que outorga os prêmios, anunciou a decisão nesta sexta-feira em um comunicado. A imagem, do fotógrafo brasileiro, foi ganhadora na categoria de Animais em seu Entorno, em 2017. É intitulada The Night Raider (O Invasor Noturno) e mostra um tamanduá-bandeira avançando na direção de uma colônia de cupins no parque Nacional das Emas, no Brasil. Sobre o montículo veem-se pontos verdes de bioluminescência, produzidos por larvas de vagalumes para atrair insetos voadores.

O ‘Invasor Noturno’, a fotografia desclassificada. MARCIO CABRAL

O museu recebeu em março provas que indicavam a possibilidade de que o tamanduá-bandeira retratado fosse um exemplar empalhado. Depois de uma investigação por três peritos da instituição e dois cientistas independentes, que durou pouco mais de três semanas, o museu confirmou a acusação e desclassificou Cabral por considerar que sua fotografia não cumpre as bases do concurso. Nelas está determinado que as fotos participantes “não podem enganar o espectador nem deturpar a realidade da natureza”.

Cabral nega ter manipulado a cena e argumenta que o animal de sua fotografia é um exemplar vivo. O júri considera que o corpo do tamanduá-bandeira que aparece na imagem é o mesmo exposto no Centro de Visitantes do Parque Nacional das Emas. Os cinco especialistas —três zoólogos, um perito em taxidermia e um em tamanduás-bandeira – compararam o animal retratado na fotografia de Cabral com imagens do exemplar exposto no centro. Independentemente, todos concluíram que a posição e a pelagem em ambos os casos são parecidas demais para se tratar de animais distintos.

Tamanduá-bandeira empalhado exposto no Centro de Visitantes do Parque Nacional das Emas. NATURAL HISTORY MUSEUM

O museu também levou em conta em sua decisão as respostas de Cabral a perguntas dos peritos. O fotógrafo colaborou com a investigação, compartilhando com o museu imagens em formato RAW (minimamente processadas e com toda a informação captada pelo sensor digital da câmera) supostamente feitas antes e depois da fotografia premiada. Nenhuma dessas tomadas inclui o tamanduá-bandeira.

“Lamentavelmente, não tenho outra imagem do animal porque utilizei uma exposição longa de 30 segundos com ISO 5000. Depois dos flashes, o animal abandonou o lugar, de modo que não foi possível fazer outra foto dele ao sair de um lugar completamente escuro”, contou Cabral à BBC News.

Também alega que uma testemunha esteve com ele nesse dia e disse que pretende regressar ao Parque Nacional das Emas para recolher provas que possam inocentá-lo.

A organização do museu anunciou que retirará a fotografia desclassificada da exibição itinerante que agora está mostrando as imagens ganhadoras e finalistas pelo Reino Unido. Também proibiu Cabral de participar de futuras edições do concurso. Em 2010, o júri do Wildlife Photographer of the Year desclassificou o fotógrafo espanhol José Luiz Rodríguez, que havia sido anunciado ganhador do certame em 2009. O lobo ibérico que saltava uma cancela em seu instantâneo premiado era um animal doméstico.

 

Sobre Daniel Pereira

Um aquariano que vive com os pensamentos no futuro mas tem grande apego com o passado. Apaixonado por arte e Comunicação. Seu maior defeito é fazer mil coisas ao mesmo tempo a ponto de não ter tempo pra mais nada e mesmo assim vive criando coisas novas pra fazer.

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