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2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO COMPLETO 50 ANOS

Há 50 anos, o homem ainda não tinha ido à Lua, mas já poderia imaginar como seria se fosse. Isso porque, visionários, o cineasta Stanley Kubrick e o escritor Arthur C. Clarke tiveram a audácia de criar uma narrativa em que, com tons realísticos, o ser humano, entre outros feitos, chegava ao satélite. De fato, a visão de Kubrick não difere tanto da real. Não por acaso, teóricos da conspiração juram que imagens da chegada da Apolo 11 e de Neil Armstrong à lua, em 1969, foram uma produção feita em estúdio pelo diretor.

Polêmicas conspiratórias à parte, 2001: Uma odisseia no espaço revolucionou o cinema não só pelos efeitos visuais deslumbrantes, mas também pelo tom filosófico e desafiador da narrativa e pela riqueza da produção assinada por Kubrick, diretor de outros clássicos, como O iluminado e Laranja mecânica.

Hoje (02 de abril), 2001 completa 50 anos. Depois de cinco décadas, o clássico de Kubrick permanece instigante, aberto a várias interpretações e influenciando novas produções de ficção científica.

Barreiras

No início, porém, a aceitação não foi imediata. Talvez pela complexidade, talvez pela inovação, alguns críticos, como Renata Adler, do The New York Times, e Judith Crist, da New Yorker, chamaram o longa de monótono, sem imaginação e pretensioso.

Na premiere de 2001, metade do público deixou o cinema no meio da sessão sem entender do que se tratava o filme e perdida com as referências visuais e filosóficas da obra de Kubrick. Conta-se que, entre os que deixaram o cinema estava o ator Rock Hudson, que teria dito: “De que diabos trata esse filme?”.

Mas não demorou muito para a visão sobre o longa mudar. A exuberância e a profundidade influenciou praticamente todas as obras de ficção científica espaciais que vieram depois. George Lucas, pouco antes do lançamento de Star Wars, falou sobre a grandeza de 2001 em uma entrevista.

“Stanley Kubrick fez o filme de ficção científica final, e vai ser muito difícil para alguém vir e fazer algo melhor, tanto que estou preocupado. Em um nível técnico, Star Wars pode ser comparado, mas, pessoalmente, eu acho que 2001 é muito superior.”

 

O início

O roteiro de 2001 foi inspirado em um conto de Arthur C. Clarke chamado O sentinela. O escritor contou como ele e Kubrick chegaram à escolha do texto que deu base ao filme.

“Eu quero fazer um bom filme de ficção científica, disse Stanley. Então, passamos por todos os meus contos para ver o que daria um bom filme. Nós paramos em cerca de seis”, disse em entrevista ao The New York Times.

“Uma por uma, nós jogamos fora as histórias. Eventualmente, ficamos em apenas duas delas. Uma era O sentinela e o outro era Encontro no amanhecer, na qual uma nave espacial aterrissa antes que o homem existisse e os viajantes encontrassem os macacos humanos. Nós iríamos originalmente chamar o filme de How the solar system was won (Como o sistema solar foi ganho, em tradução literal)”, completou.

Os significados

Difícil e incompreensível são alguns dos adjetivos que parte do público costuma dedicar a 2001 ao vê-lo pela primeira vez. Arthur C. Clarke chegou a afirmar que:

“Se alguém entender isso na primeira visualização, falhamos em nossa intenção”.

Kubrick não concordava com a frase do escritor.

“A própria natureza da experiência visual em 2001 é dar ao espectador uma reação instantânea e visceral que não exige — e não deve exigir — amplificação adicional”, disse em entrevista à revista Playboy americana sobre o longa.

O diretor se recusava a tentar explicar qual o sentido do filme justamente por acreditar que 2001 se trata de uma experiência não verbal.

“De duas horas e 19 minutos de filme, há apenas um pouco menos de 40 minutos de diálogo. Eu tentei criar uma experiência visual, que ultrapassa a classificação verbalizada e penetra diretamente no subconsciente com um conteúdo emocional e filosófico.”

2001 deveria ser, para o diretor, entendido como música, sem precisar de maiores detalhes além da própria obra.

“Porque explicar uma sinfonia de Beethoven seria enfraquecê-la”, justificou Kubrick.

 

Para comemorar os 50 anos deste clássico, selecionamos algumas curiosidades sobre a obra:

 

Discovery

O set de filmagens da nave Discovery, com uma enorme centrífuga (a estrutura parecida com uma roda rotativa), foi construído pelo fabricante de aeronaves Vickers-Armstrong, custando aproximadamente 750.000 dólares.

 

A Ciência

Famosos autores de ficção científica eram tão divididos sobre o filme como críticos de cinema. Escritores como Ray Bradbury e Lester del Rey sentiram que em 2001 faltava a humanidade, enquanto Isaac Asimov e Samuel R. Delany ficaram muito impressionados.

 

O preço da perfeição

Muito perfeccionista (e consumido pelas exigências técnicas) 2001: Uma Odisseia no Espaço acabou sendo $4,5 milhões de dólares mais caro em relação ao orçamento inicial de $6 milhões. Além disso, foi lançado com 16 meses de atraso.

 

Kubrick faz-tudo

Kubrick participou em quase todos os aspectos da produção, incluindo a concepção. Ele escolheu a maioria dos tecidos para os trajes de seu ator e selecionou a maioria dos móveis. Suas escolhas se tornaram uma tendência e muitos desses designs e peças (como o Herman Miller Action Office e as cadeiras Olivier Mourgue Djinn) tiveram um aumento na popularidade depois que o filme foi lançado.

 

Talheres

O designer dinamarquês Arne Jacobsen criou o talheres usados ​​pelos astronautas da Discovery. Ainda é vendido ao público até hoje. Clique aqui para ver.

 

500 horas de filme

O supervisor de efeitos especiais fotográficos Douglas Trumbull uma vez disse que o tiro total de metragem em 2001: Uma Odisseia no Espaço foi de cerca de 200 vezes o comprimento do corte final.

 

Cenas inéditas

Kubrick muitas vezes queimou seus negativos depois de completar um filme, mas 17 minutos de filmagem perdida foi descoberto há alguns anos em uma mina de sal no Kansas em perfeitas condições. O material vem do corte pós-estreia do filme, infelizmente não foram anunciados planos para liberá-lo ainda.

 

Daisy Bell

A inclusão da canção de HAL “Daisy Bell” foi inspirado pela visita de Arthur C. Clarke a Bell Labs em 1961, onde ele testemunhou o IBM 704 “cantar” a canção. John Kelly e Carol Lochbaum programaram os vocais para a demonstração, e Max Mathews programou o acompanhamento. “Daisy Bell” é a canção mais antiga conhecida realizada utilizando síntese de fala do computador.

 

2001 no Oscar

O filme ganhou um único Oscar (foi nomeado 13 vezes), de Melhores Efeitos Especiais. Todo o crédito foi para Kubrick, o que acabou irritando alguns técnicos que trabalharam no filme. Sem contar que Kubrick não estava presente durante a cerimônia.

 

Os Macacos

O público pensou que os macacos no filme eram reais. Todos os primatas foram interpretados por seres humanos, com exceção de dois bebês chimpanzés.

 

As Influências

Alguns historiadores do cinema acreditam que o filme “Road to the Stars” do documentarista russo Pavel Klushantsev influenciou fortemente a cinematografia e efeitos de 2001: Uma Odisseia no Espaço

 

Abertura

O filme quase foi aberto com 10 minutos em preto-e-branco, prólogo de 35 milímetros com entrevistas com peritos científicos (como Freeman Dyson) discutindo as possibilidades de vida extraterrestre. Kubrick removeu essa abertura após mostrar para os executivos da MGM, mas o texto sobrevive no livro The Making of Kubrick’s 2001 por Jerome Agel.

 

Seguro para Kubrick

De acordo com Arthur C. Clarke, Stanley Kubrick queria uma apólice de seguro do Lloyd de Londres (mercado de seguro e resseguro britânico) para se proteger contra perdas em caso de inteligência extraterrestre descoberta antes do lançamento do filme. Golpe publicitário?

 

Caneta flutuante

O efeito da caneta flutuante foi conseguido gravando com uma folha de vidro, suspenso em frente da câmara. Kubrick e sua equipe de efeitos tentaram chegar a uma maneira mais profissional de executá-la, mas nada parecia funcionar.

 

Filha de Kubrick

A filha de Kubrick, Vivian, apareceu no filme como a filha do Dr. Floyd (William Sylvester). Vemos isso na cena em que Floyd entra em vídeo chamada com ela.

 

Maquiagem

Keir Dullea passou 12 horas na composição de velhice por suas cenas como um homem idoso.

 

Areia

Stanley Kubrick importou várias toneladas de areia para as cenas da lua.

 

 

Sobre Daniel Pereira

Um aquariano que vive com os pensamentos no futuro mas tem grande apego com o passado. Apaixonado por arte e Comunicação. Seu maior defeito é fazer mil coisas ao mesmo tempo a ponto de não ter tempo pra mais nada e mesmo assim vive criando coisas novas pra fazer.

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