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ÓPERA-ROCK SOBRE ASSÉDIO É A APOSTA DO NOVO TRABALHO DOS TITÃS

Intitulado como “Doze Flores Amarelas”, o novo trabalho da banda de Rock “Titãs” inova ao usar da técnica “Ópera Rock” para falar de um assunto bem atual.

A nova linguagem nada mais é que uma obra de rock que apresenta uma narrativa (ao estilo de uma ópra) contada em partes e canções. Uma ópera rock é diferente de um álbum convencional por trazer músicas unificadas por um único tema ou narrativa, contando uma história com começo, meio e fim.

Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto, integrantes originais da banda com 36 anos de estrada, contam, neste novo trabalho com o baterista Mario Fabre, o guitarrista Beto Lee e mais três cantoras.

Nos dias 3 e 4 de abril, farão uma pré-estreia no Festival de Teatro de Curitiba e à partir do dia 12 farão quatro sessões no Sesc Pinheiros, em São Paulo.

“Temos o hábito de valorizar canções com um sentido mais aberto. Achamos que contar uma história por meio de canções seria um processo rico para nós como compositores.” diz Britto

O projeto surgiu há cerca de dois anos, quando a banda tentava experimentar novos formatos. Chamaram o diretor e dramaturgo Hugo Possolo e o escritor Marcelo Rubens Paiva para trabalhar o argumento, e juntos decidiram pelo tema do assédio e como ele se dissemina no mundo tecnológico.

“A tecnologia está tão presente hoje nas nossas vidas, e achamos que essa questão traria uma ligação mais contemporânea para a história”, afirma Possolo

Os Titãs compuseram 25 músicas inéditas com base na dramaturgia sendo uma delas “Doze Flores Amarelas” que dá nome ao projeto.

 

 

O Show

O Show é narrado pela voz gravada de Rita Lee e conta com alguns diálogos em off. Tudo acompanhada por arranjos instrumentais compostos por Jaques Morelenbaum.

Toda história é contada através das músicas, como “Nada Mais Basta”, que abre o trabalho e diz:  “Atrás dessa menina/ Tem um homem atrás de outro nome/ Que diz te entender/ Atrás dessa janela/ Um pouco dela, uma mulher sincera/ Que quer te conhecer”.

O show conta a história de três Marias (interpretadas por Corina Sabba, Cyntia Mendes e Yás Werneck) que usam um aplicativo chamado Facilitador que é uma espécie de oráculo que diz aos jovens como devem agir. Certo dia em uma festa, as três acabam sofrendo estupro e decidem se vingar usando o feitiço (também sugestão do aplicativo) das 12 flores amarelas.

Cada uma das Marias toma um caminho diferente, mas o desfecho aponta para a denúncia delas sobre o abuso.

Segundo a banda, essa também foi uma forma da banda se posicionar sobre o tema e levantar um debate.

A tecnologia não é utilizada apenas na história, todo o cenário do show é feito através de projeções que mudam o ambiente de acordo com o momento da história, transformando o mesmo palco nos quartos das três Marias até na festa em que ela são violentada.

“Eu sinto que a gente está tateando uma nova linguagem, que mistura show, teatro e cinema. E tem um pouco aquela ideia dos anos 1960, quando os shows de rock eram apresentados em teatro.” diz Branco

Já faz um tempo que o novo formato vem sendo experimentado pela banda. No ano passado, durante a temporada de shows de “Uma noite no Teatro” a banda aproveitou para colocar no palco algumas coisas do novo projeto. Usaram um pouco da encenação teatral e incluíram no show três músicas da ópera-rock: “Me estuprem”, “A Festa” e a “Doze Flores Amarelas”

O novo formato tem obrigado o integrantes da banda a mudarem a maneira em que estavam acostumados a se comportarem no palco.

“A gente tem que ser contido. É muito difícil, porque geralmente temos outro tipo de atitude no palco. A nossa atitude aqui muda muita para a de um show, em que você fala com a plateia, joga uma palheta”, diz Bellotto.

“Algumas das óperas-rock mais famosas, como ‘Tommy’ (do The Who) e ‘The Wall’ (Pink Floyd), foram lançadas antes em disco. Nós estamos fazendo o caminho contrário, primeiro encenando”, diz Britto.

Mas os titãs já gravaram e pretendem lançar futuramente o disco do novo trabalho e ainda querem gravar um DVD em alguma apresentação.

Depois de fazer a pré estreia em Curitiba e de estrear em São Paulo, a banda deve levar “Doze Flores Amarelas” para mais outra dezena de capitais brasileiras.

 

SERVIÇO

DOZE FLORES AMARELAS

  • Quando: 3 e 4/4, às 21h (Curitiba)  |    12 a 14/4, às 21h, 15/4, às 18h (São Paulo)
  • Onde: Guairão – Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto, r. Conselheiro Laurindo, s/ nº, Curitiba, tel. (41) 3304-7914 |  Sesc Pinheiros, r. Paes Leme, 195, São Paulo, tel. (11) 3095-9400
  • Preço: R$ 70 (Curitiba)  |   R$ 18 a R$ 60 (São Paulo)
  • Classificação: 14 anos00

Sobre Daniel Pereira

Um aquariano que vive com os pensamentos no futuro mas tem grande apego com o passado. Apaixonado por arte e Comunicação. Seu maior defeito é fazer mil coisas ao mesmo tempo a ponto de não ter tempo pra mais nada e mesmo assim vive criando coisas novas pra fazer.

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