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Coleção Vaga-Lume: a curiosa história de um sucesso nostálgico

A série Vaga-Lume, voltada para o público infanto-juvenil, foi lançada pela editora Ática nos anos 70, e marcou os primeiros passos de muitos brasileiros no amor pela leitura. A estimativa é de que somente a obra A ilha perdida, de Maria José Dupré, tenha ultrapassado a marca de 2,2 milhões de exemplares vendidos. Quem passou pelos bancos escolares brasileiros nos anos 70, 80 e 90, com certeza, tem pelo menos um título da série para lembrar com carinho.

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A comissão de frente

No começo, a coleção era composta por obras consagradas de autores famosos. Um dos maiores sucessos, O escaravelho do diabo, de Lúcia Machado de Almeida, foi lançado, em 1956, como um folhetim da revista O Cruzeiro. Sucesso imediato, a obra tornou-se um clássico e, ainda este ano, ganhará as telas de cinema, com direção de Carlos Milani e participação do ator Marcos Caruso.

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A nova geração

Vinte anos depois da primeira lista de obras, a Coleção Vaga-Lume passou a publicar autores e títulos inéditos, como Marçal Aquino. Convidado por Fernando Paixão, editor da série na época, Marçal era repórter do Jornal da Tarde e nunca havia escrito para o público infanto-juvenil.

Edmundo Nonato, autor já reconhecido de contos e romances adultos, cuja tiragens raramente ultrapassavam três mil exemplares, também foi convidado a participar da Coleção Vaga-Lume. Sob o pseudônimo Marcos Rey, ele escreveu O mistério do cinco estrelas em dois meses, no ano de 1981. O escritor ficou chocado quando soube a tiragem pretendida para o lançamento: 120 mil cópias. A aposta foi certeira: mais de 2,5 milhões de exemplares vendidos.  Atualmente, os mais de 15 livros lançados por Marcos Rey estão fora da Coleção Vaga-Lume.

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Bom de texto, bom de preço

Um dos motivos para o sucesso da coleção é o baixo preço dos seus exemplares. Altas tiragens permitiam preços muito competitivos, o que facilitou a adoção escolar e a grande procura em livrarias.

“Os Suplementos de Trabalho”, que vinham anexados aos livros e traziam atividades didáticas ligadas à obra, foram outro fator determinante para a boa aceitação no sistema educacional.

O Relançamento

Em comemoração aos 50 anos a Editora Ática relançará 10 livros da famosa coleção:

A aldeia sagrada, de Francisco Marins
Os barcos de papel, de José Maviel Monteiro
Tonico, de José Rezende Filho
O feijão e o sonho, de Orígenes Lessa
Spharion, de Lúcia Machado de Almeida
A ilha perdida, de Maria José Dupré
O escaravelho do diabo, de Lucia Machado de Almeida
A turma da Rua Quinze, de Marçal Aquino
Deu a louca no tempo, de Marcelo Duarte
Açúcar amargo, de Luiz Puntel

As reedições devem ter ilustrações novinhas em folha e capas que brilham no escuro!

Sobre Daniel Pereira

Um aquariano que vive com os pensamentos no futuro mas tem grande apego com o passado. Apaixonado por arte e Comunicação. Seu maior defeito é fazer mil coisas ao mesmo tempo a ponto de não ter tempo pra mais nada e mesmo assim vive criando coisas novas pra fazer.

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