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‘O Beijo no Asfalto’ inaugura projeto para encenar toda a obra de Nelson

É sua quarta montagem de “O Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues. “Espero que tenha acertado nesta, senão ainda terei que fazer mais duas”, brinca o diretor Marco Antonio Braz. Sua mais recente versão do texto estreia neste sábado (5), em São Paulo, após uma temporada no Rio.

“Eu fiquei com receio de me repetir, mas foi o contrário: é uma peça que, a cada leitura, grita, diz algo novo”, diz.

Braz estuda o dramaturgo (1912-1980) desde 1989, quando fez sua primeira adaptação de “O Beijo”, na conclusão da faculdade, sob orientação de José Renato Pécora (1926-2011), um dos fundadores do Teatro de Arena de São Paulo.

Desde então, Braz se debruça sobre a obra do autor, tendo encenado muitos textos de Nelson e coordenado, ao lado do escritor e colunista da Folha Ruy Castro, uma mostra comemorativa aos cem anos do dramaturgo no Sesi.

Para a nova montagem, o diretor buscou uma cena limpa, com poucos adereços. “O texto diz muito. É uma montagem aparentemente mais careta, mas mais profunda.”

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Contada em três atos, a história gira em torno de um beijo que o personagem Arandir –papel de Cal Titanero– deu na boca de um homem que vira ser atropelado por um ônibus no centro do Rio.

Estampado em uma manchete de jornal, o caso vira um burburinho na cidade e muito se questiona sobre a sexualidade de Arandir, em especial seu sogro, Aprígio (Alvaro Gomes), o repórter Amado Ribeiro (Marcos Breda) e o delegado Cunha (Pedro Paulo Eva).

“Quem vê a homossexualidade dele são todos os personagens à volta, mas é um gesto de absoluta generosidade”, diz Braz. “Arandir age na situação de que a um morto não se recusa nada.”

HIPOCRISIA

É uma obra muito atual, opina o diretor. “Ainda mais numa época em que o país está mostrando uma hipocrisia em aspectos morais. Aquele espírito de contradição que Nelson falava na década de 1960 ainda existe.”

Escrito em 1960 a pedido da atriz Fernanda Montenegro –que participou da primeira montagem ao lado do marido, Fernando Torres, e da companhia Teatro dos Sete–, o texto integra as tragédias cariocas do autor.

A trama foi inspirada em um caso real: o atropelamento de Pereira Rego, repórter do jornal “O Globo”, por um “arrasta-sandália” (tipo antigo de ônibus) no largo da Carioca, centro do Rio. Agonizante, o jornalista teria pedido um último beijo a uma moça que se debruçara para socorrê-lo, explica Castro na biografia “O Anjo Pornográfico”.

Mas, para seu texto, o dramaturgo inverteu o gênero do requerido. “Sabemos que Nelson foi um polemista, um provocador, e que ele tinha um senso de mídia muito forte para o seu tempo. Então ele usava esses escândalos também para promover as peças”, comenta o encenador.

OBRA COMPLETA

O espetáculo é o primeiro de um projeto de Braz para montar todas as 17 peças de Nelson Rodrigues até 2017.

A próxima será “Valsa nº 6”, que deve ter ensaios abertos ainda em outubro e estreia até o início do próximo ano. Na sequência, vêm “Viúva, Porém Honesta” e “Perdoa-me por Me Traíres”.

O aspecto mais límpido e despido de adereços de “O Beijo no Asfalto” deve delinear também a linguagem das demais montagens.

A ideia, explica o diretor, é que os espetáculos sejam encenados por diversas cidades brasileiras, na ordem cronológica em que foram escritas, até o fim de 2017.

“Percebi, viajando pelo Brasil em 2014 com ‘A Falecida’ –que tinha Lucélia Santos como protagonista–, como as pessoas conhecem pouco a obra do Nelson. É um autor que precisa ser visto.”

O BEIJO NO ASFALTO
QUANDO sex., às 21h30, sáb., às 21h, dom., às 19h; até 27/9
ONDE Teatro Augusta, r. Augusta, 943, tel. (11) 3151-4141
QUANTO R$ 40
CLASSIFICAÇÃO 16 anos

About Daniel Pereira

Um aquariano que vive com os pensamentos no futuro mas tem grande apego com o passado. Apaixonado por arte e Comunicação. Seu maior defeito é fazer mil coisas ao mesmo tempo a ponto de não ter tempo pra mais nada e mesmo assim vive criando coisas novas pra fazer.

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