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Negra Jhô – Arte e Empoderamento Negro

01A sexta artista que trago pra coluna nessa proposta de primeiro homenagear 7 mulheres negras, é uma diva de alegria radiante! Hoje eu te convido a conhecer Negra Jhô, especialista em fazer a cabeça das pessoas sobre um novo olhar quanto a estética negra.

Negra Jhô (luz em iorubá), nasceu no quilombo da Muribeca, distrito de São Francisco do Conde (BA), vinda de família humilde, desde cedo aprendeu sobre racismo institucionalizado… ouviu dentro de casa mesmo, comentários cruéis sobre seu cabelo, apanhou muito da madrasta para alisar o cabelo, pois o padrão eurocêntrico sempre nos ensinou outra noção de belo, mas Negra Jhô já nasceu na contra-mão do padrão e achava lindo trançar o cabelo das irmãs, amigas, primas e até das bonecas.

Numa história marcada por lutas e superação, começou a trabalhar desde cedo: foi vendedora peixe, cozinheira, lavadeira, atendente de loja e recepcionista de teatro. Em Feira de Santana ganhou por 5 vezes o título de beleza negra do município!

Quando Negra Jhô chega em Salvador, em meados de 77, indo morar de favor na casa de uma amiga, criando dois filhos sozinha, as pessoas olhavam com desconfiança aquela mulher de beleza exuberante, colocando uma cadeira em pleno Largo do Pelourinho para trançar os cabelos dos passantes, turistas e moradores locais. Rapidamente sua arte ganhou visibilidade, eram tranças, torsos, turbantes, amarrações… mulheres sentavam em sua cadeira e levantavam-se rainhas!
E foi assim que essa filha de Ogun com Yansã, de personalidade forte e espírito empreendedor, plantou as primeiras sementes do que é hoje o império Negra Jhô, que além de nome, é marca de uma linha voltada para a estética afro,  que permite a extravagância, mistura de estilos e a liberdade de expressão… mas não é só isso… de fato vai mais longe, Negra Jhô é, com certeza, uma das precursoras do empoderamento do cabelo natural, transformando a forma como homens e mulheres negras olhavam para sua cor, seu nariz, seu cabelo e sua raça, passando a valorizar sua negritude e dando brilho e volume à sua coroa natural.

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Seu salão de beleza fica localizado na Rua Frei Vicente, nº 04 e é referência nacional em cabelos afro, sendo procurado por turistas, famosos e baianos que fazem questão de valorizar o trabalho dessa guerreira e ter sua cabeça feita por ela. Negra Jhô radia alegria, força e consciência política para uma existência que sempre foi marginalizada e contribui para a valorização da cultura e identidade negra não somente com suas tranças, turbantes e penteados afro, mas também através do Instituto Kimundo, entidade que dirige há dez anos e pelas palavras da própria diretora: “No Instituto só trabalharam mulheres negras, que valorizam a auto-estima da mulher, seja ela negra ou não, pois quando o sofrimento vem chega para de qualquer epiderme, qualquer etnia. Aqui se valoriza a força, beleza, dança a liberdade da mulher”.

Há 6 anos, ela movimenta as ruas do Pelourinho com a famosa Feijoada da Negra Jhô, que começa com um cortejo pelas ruas do Pelourinho onde a protagonista lidera um grupo de músicos e dançarinos numa celebração aos Orixás e entidades de manifestações da cultura de matriz africana, esse ano o tema da feijoada foram os 40 anos da independência de Angola, e se revezaram no palco artistas como Tonho Matéria, Magary Lord, Aloísio Menezes, Afro Jhow e as bandas Didá, Ilê Aiyê, Bambeia e muitos outros.

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Meus respeitos à você, Negra Jhô, guerreira ativista e ousada! Parabéns pela mulher, mãe, Candomblecista, empreendedora, mas acima de tudo: exemplo de força, garra e determinação, exemplo de rebeldia e libertação do sistema normativo, inspiração de tantas mulheres negras para amarem-se, respeitarem-se e serem mais felizes. Muito Asè, saúde e prosperidade, vida longa e feliz para continuar transformando vidas e cabeças.

Abaixo segue um vídeo com a grande diva:

 

Confira o Blog da Negra Jho

 

About Andréa Magnoni

Fotógrafa, ativista "afro-trans-feminista", leonina, filha de Yansã e completamente fora da caixinha. Site: www.andreamagnoni.com.br

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