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Darson Ribeiro vive embate sensível em ‘Os Guarda-Chuvas’

A perda de um amor pode ser drástica e irreparável ou mesmo diluída aos poucos no rotina. “Vivencio a perda diariamente na minha vida porque cuido de uma mãe com 87 anos, depois de ter perdido três irmãos e um pai. E, isso me fez com outra visão e entendimento da morte”, explica o ator e diretor paranaense Darson Ribeiro que estreou o espetáculo Os Guarda-Chuvas na última semana no Teatro Augusta.

A peça que tem assinatura do jovem dramaturgo e ator Lucas Papp se passa no dia do funeral da revisora de livros Teresa, mãe de Jonas e esposa José Denciano. Durante o velório, pai e filho iniciam uma batalha para relembrar motivos para seguir em frente com suas vidas. “É um pai que tenta a todo custo provar pra si e pro filho que mesmo trágica, a família cria e recicla o amor. Pode parecer piegas mas, hoje, é um dos grandes desagregadores. Não se cultiva mais esse tipo de relação nas famílias atuais.”, explica Ribeiro que encerrou na última semana a temporada do espetáculo Homens no Divã.

No cenário de Os Guarda-Chuvas, a morte ganha potência com a utilização do elemento mais essencial para a vida. “A água une, mas desune também, e é ela que é citada como fator adaptador em tudo, porque se submete. Percebi que a chuva é elemento de perda, mas, de ligação também, quis que ela permanecesse no palco”.

Maria Fernanda Cândido vive Teresa em vídeo exibido na peça 'Os Guarda-Chuvas'. FOTO: ELIANA SOUZA/DIVULGAÇÃO
Maria Fernanda Cândido vive Teresa em vídeo exibido na peça ‘Os Guarda-Chuvas’. FOTO: ELIANA SOUZA/DIVULGAÇÃO

Nesse ambiente. revelações espinhentas e dolorosas como a homossexualidade do filho, ciúmes e traições são colocadas para fora, frente à despedida da mulher. Sem medo de arriscar nas emoções, Ribeiro relembra um conselho do ator Paulo Autran (1922-2007). “Uma vez, produzi uma peça e o levei para ver. Ele me disse ‘os atores são ótimos, o texto é ótimo, mas, porque o diretor brecou os atores para que não se emocionassem? Por que os diretores temem a emoção em cena?’. Aquilo me ficou na cabeça, e geralmente, isso é só acho eu, o espelhamento do que vivemos: sabotamos os que sentimos, seja ódio, raiva, amor, tudo”, conta.

E o elenco do espetáculo se completa com a participação da atriz Maria Fernanda Cândido, com a qual Papp fez uma participação especial na minissérie Felizes para Sempre? exibida pela Globo. “A relação é de uma primazia amorosa invejável mas, que até a morte da mãe não se concretiza. Daí, é que vem uma enxurrada de assuntos à tona pra serem resolvidos no ‘tête-à-tête’ entre os dois homens. E, por isso convidei a atriz pra poder dar vida à revisora. Tudo ficou mais real, mais aceso. Mais trágico’, conta.

Os Guarda-Chuvas. Teatro Augusta. Sala Experimental. Rua Augusta, 943. Tel.: 3231-2042. Quartas e quintas, 21h. R$ 30-R$60. Até 29/10.

Fonte: Estadão – Teatro e Dança

About Daniel Pereira

Um aquariano que vive com os pensamentos no futuro mas tem grande apego com o passado. Apaixonado por arte e Comunicação. Seu maior defeito é fazer mil coisas ao mesmo tempo a ponto de não ter tempo pra mais nada e mesmo assim vive criando coisas novas pra fazer.

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