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Heloísa Périssé interpreta 15 personagens em peça

Heloisa-PerissePrimeiro monólogo de Heloisa Périssé, e assinado por ela, E Foram Quase Felizes para Sempre brinca já no título com a ideia de que uma relação à dois é (ou deveria ser) semelhante a um conto de fadas.

Letícia Amado é uma escritora de livros para viagem e está na noite do lançamento do seu livro “Cantinho pra dois”, em que narra suas impressões sobre vários lugares do mundo onde pode ser interessante ir ao lado da pessoa amada. O problema é que faz seis meses que o seu casamento definitivamente terminou e, embora Paulo Vitor, o ex, ainda não tenha chegado na sessão de autógrafos, é possível que ele apareça. Nervosa, ela começa a contar a sua história para os convidados e o mote é o que necessita a atriz para fazer ver, na narrativa desse casamento entre duas pessoas tão opostas apesar do amor que as une, uma galeria de figuras que expõem o seu grande talento e a sua técnica. A psicóloga Lorena, a amiga Celestre, a Mãe, a Irmã, o Cunhado, o Pai, o Marrento, a Puta e o próprio Paulo Vitor aparecem em cena todos juntos na pele de Périssé. Sendo um monólogo, temos um grande espetáculo dirigido por Susana Garcia, que parece fazer evoluir bem a sucessão dos personagens, valorizando o que há de melhor no projeto.

A direção de Susana Garcia se ajusta perfeitamente à atriz e conduz tudo com leveza. O resultado é uma visão do casamento sem ingenuidade, mas também sem amargura.

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Miguel Pinto Guimarães, mais uma vez ao lado de Maneco Quinderé com um resultado excelente, cria um cenário simples, mas essencial. Um conjunto de retângulos em diversos tamanhos suspensos no palco cria ambientes múltiplos, enquadrando as personagens quando a atriz passa por entre eles. O ciclorama do fundo compõe o quadro ou os quadros, oferecendo uma noção de espaço, esse desenhado verticalmente, que tem alta qualidade estética. A trilha sonora de Alexandre Elias e o figurino criado por Rita Murtinho também têm bom resultado, participando menos da produção, mas com igual qualidade. e_foram_quase_felizes_para_sempre_-_foto_saulo_marqks_2

A relação entre Letícia e Paulo Vitor, embora particular, torna-se motivo para o público pensar nas próprias relações amorosas, sexuais, familiares ou amigáveis.

“E foram quase felizes para sempre” é entretenimento, mas, ultrapassando a barreira inicial da revisita aos clichês, há de se encontrar uma grande atriz ao lado de bons profissionais do ramo das artes cênicas em trabalho digno de destaque, unido a plateia em um coro único de seres humanos que querem amar e ser amados. Assim, a peça faz pensar e faz gargalhar, cumprindo o seu papel. Aplausos.

Confira a atriz Heloisa Périssé falando sobre a peça no programa “Metrópoles” da Tv Cultura.


FICHA TÉCNICA: 
Com HELOISA PÉRISSÉ
Autor Heloisa Périssé
Direção Susana Garcia
Iluminação Maneco Quinderé
Cenário Miguel Pinto Guimarães
Figurino Rita Murtinho
Trilha musical Alexandre Elias
Produção executiva Roberta Brisson
Direção de produção Cristiana Lara Resende

About Daniel Pereira

Um aquariano que vive com os pensamentos no futuro mas tem grande apego com o passado. Apaixonado por arte e Comunicação. Seu maior defeito é fazer mil coisas ao mesmo tempo a ponto de não ter tempo pra mais nada e mesmo assim vive criando coisas novas pra fazer.

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