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Virgínia Rodrigues – A Cinderela Brasileira 

A terceira notável da minha lista de sete artistas negras é Virgínia Rodrigues. Hoje convido você a conhecer essa cantora baiana, dona de uma voz elogiadíssima e com uma história de vida admirável!

Mulher negra, capricorniana de voz grave, que tem influência da música clássica, do samba e jazz em seu estilo musical e a maior parte das músicas que interpreta, fazem referência aos Orixás do candomblé. Sua voz potente e grave atinge desde notas agudas até tons mais graves. Virgínia começou a cantar nas igrejas, ambiente onde encontrava espaço e oportunidade para exercitar seu dom.

Em 1997, aos 33 anos, foi convidada pelo diretor Márcio Meireles, do Bando de Teatro Olodum, para participar da peça Bye Bye Pelô e foi durante os ensaios que Caetano Veloso a descobriu e se encantou com a potência de sua voz. Virgínia, que na época era manicure, viu sua vida mudar de forma incrível! Naquele mesmo ano ela grava “Sol Negro”, seu primeiro CD lançado pela gravadora Natasha, que foi super bem recebido pela crítica nos Estados Unidos, reconhecendo-a como uma das mais promissoras vozes femininas do Brasil e seguiram-se vários shows pela América do Norte, Europa e Ásia.

Dona de personalidade marcante e olhar sereno, a fama repentina não a desestabilizou, continua olhando para a vida com a mesma simplicidade da menina que amava as cantoras do rádio e cantarolava no banheiro da casa simples na periferia de Salvador.

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Agora em 2015 Virgínia Rodrigues lançou “Mama Kalunga”, um CD independente produzido por Tiagná Santana (ainda vamos falar sobre ele aqui), uma obra prima cheia de surpresas a cada faixa! Além de “Sol Negro” e “Mama Kalunga”, fazem parte da discografia de Virgínia “Nós”, ainda pela Natasha, gravado em 2000. Em 2003 surgiu “Mares Profundos” pela Deutsche Grammophon/Universal, gravadora alemã mais tradicional da música erudita. com edição simultânea aqui e na Europa e em 2008 surge “Recomeço”, lançado pela Biscoito Fino, trazendo clássicos da MPB.

Seu canto camerístico aliado à compreensão da canção popular conferem um novo sentido a poesias de Chico Buarque e de Vinicius de Moraes, atrevida e arrojada, canta com ineditismo muitas canções populares clássicas e recorrentes. Atualmente é cantora das mais respeitadas no circuito dos mais importantes festivais de jazz e world music mundo afora e tem entre seus fãs o ex-presidente Bill Clinton, que enquanto ainda era presidente, mandou buscá-la aqui no Brasil para cantar na Casa Branca.

Corajosa e determinada, desbrava todos os novos desafios com a mesma paixão da menina que ouvia o velho rádio na casa pequena. Conhecida como “a Cinderela brasileira”, Virgínia Rodrigues segue como ilustre desconhecida em sua terra. Aplausos e mais aplausos  para essa guerreira de voz poderosa e estilo refinado, que canta os temas afros e suas divindades com a classe dos líricos e a emoção da nossa ancestralidade.  Procurem por sua discografia na internet e deliciem-se com a personalidade única de Virgínia Rodrigues!

Minha sugestão para que degustem um pouco do que verão em suas pesquisas é “Mama Kalunga”, faixa de seu álbum mais recente que leva o mesmo nome.2626

About Andréa Magnoni

Fotógrafa, ativista "afro-trans-feminista", leonina, filha de Yansã e completamente fora da caixinha. Site: www.andreamagnoni.com.br

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