BIGtheme.net http://bigtheme.net/ecommerce/opencart OpenCart Templates

O Animal na Sala discute a evolução humana

A Companhia Linhas Aéreas une teatro, dança e circo para apresentar a relação do homem com o meio em vários momentos da sua evolução. O Animal na Sala é um espetáculo de dança-teatro que apresenta a evolução humana sob uma leitura crítica e ao mesmo tempo pincelada por ironia e humor. O primitivo e o civilizado, presentes na essência do homem, são contrastados em diversas situações envolvendo poder, cooperação, conquistas e superação.

O espetáculo acontece na próxima sexta-feira, dia 24, às 21 horas no Teatro Estadual de Araras. Os ingressos custam 10 reais a inteira e 5 reais a meia-entrada. A cenografia é de Renato Bolelli Rebouças (Grupo XIX). No elenco, Ziza Brisola, Patrícia Rizzi e Natália Presser, ex-integrante do Cirque du Soleil.

 telejornal alta
“O homem constrói suas próprias jaulas, se fez prisioneiro da civilização. Chegamos a um ponto em que não dá pra voltar atrás. E a ideia não é que o primitivo seja melhor. Claro que há uma crítica ao que se diz civilizado, mas a intenção é propor uma reflexão sobre o tema”, afirma a diretora Renata Melo.
Em um primeiro momento, o espetáculo retrata os ancestrais símios, o homem primitivo, a caça, agricultura, a pesca, os rituais. O desenvolvimento da razão – marcado por alusões a O Pensador, de Rodin – faz a transição para a civilização e para a segunda parte do espetáculo. É onde surge o começo da civilização e a faceta urbana do homem, em meio a máquinas, trânsito caótico, guerras, violência, medo, solidão e encarceramento. A trilha, composta por Claudia Dorei, mescla uma base contemporânea a sons “primitivos” – flautas, água, percussão, cantos tribais.
A construção do espetáculo foi feita de forma colaborativa entre as intérpretes, a diretora e Paulo Rogério Lopes, encarregado de construir a dramaturgia para amarrar todas essas idéias. A criação partiu de um extenso levantamento de referências nas artes visuais, na literatura e no cinema. Entre elas, obras do escritor Franz Kafka, do cineasta Jean-Jaques Annaud e do artista mineiro Frederico Câmara.
Árvore-cenário
Seguindo a linha de pesquisa de linguagem que a Companhia Linhas Aéreas tem realizado nos últimos dez anos, no espetáculo se fundem elementos de dança, teatro e circo, com ênfase na pesquisa de exploração dos ambientes aéreos. Em O Animal na Sala, todas as ações se desenvolvem ao redor de uma grande árvore de quatro metros de altura, feita de ferro e madeira, que foi o elemento base na criação do espetáculo.
Quem assina a cenografia é Renato Bolelli Rebouças, premiado diretor de arte do Grupo XIX de Teatro. Segundo ele, essa grande árvore que ocupa o centro do palco “representa o ciclo da vida, uma presença natural que envolve e protege o homem. A árvore tudo dá – sombra, alimento, oxigênio, casa, é um símbolo provedor. Ao mesmo tempo, construímos a imagem desse símbolo ancestral com uma base de ferro, que é símbolo da civilização, da indústria. É uma árvore estranha, quase hibridizada, feita em laboratório”.
macacos e árvore
A base da árvore é feita de objetos reutilizados – caixas, armários, bancos, ralos, pedaços de portas e rodapés. “Os objetos foram encontrados abandonados em caçambas, brechós, lojas de segunda mão e depósitos. São elementos que foram processados, industrializados e depois abandonados. Há aí também uma crítica ao consumo desenfreado. Para quê cortar tanta árvore se pouco tempo depois o objeto feito dela vai ser jogado fora?”, questiona Renato.
A árvore se transforma em cada cena. Barco, fábrica, sala de jantar, elevador, vagão de metrô e tanque de guerra são algumas das facetas que adquire. Milhares de traquitanas também vão compondo a mudança do cenário: objetos acessórios que entram e saem da árvore, como troncos de bambu que são usados como remos ou peças de engrenagens, longas faixas de tecido que ora são trouxas de roupa, ora redes de pesca, ora tendas de uma aldeia.
Renato é responsável também pelo figurino que, acompanhando a proposta do cenário, é composto por peças sobrepostas que se modificam a cada cena. “O espetáculo é um grande percurso que vai narrando histórias, e não há tempos para trocas de roupas. Por isso, optamos por peças que vão se adaptando conforme as cenas. De um bolso sai uma saia plissada, uma peça pode ser uma blusa ou uma saia, se amarrada em partes diferentes do corpo”, conta Renato. As peças são compostas de miscelânea de tecidos – malha, bordados de renda, tules – tingidos artesanalmente em tom de vinho e marrom. Durante as cenas de civilização, o figurino se complementa com alguns objetos acessórios – sapatos de salto alto, chapéus, lenços.
Os intérpretes-criadores da Companhia Linhas Aéreas são Natália Presser, que trabalhou por três anos (entre 2006 e 2009) como trapezista e atriz corporal no Cirque du Soleil, em turnês por Austrália, Japão e Europa; Ziza Brisola, diretora e uma das fundadoras da Companhia; e Patrícia Rizzi, artista colaboradora do grupo desde 2005. Neste espetáculo, o grupo tem como diretora convidada Renata Melo, que tem um reconhecido trabalho em pesquisa de linguagens envolvendo a dança em diferentes contextos, especialmente com o teatro.

 

About Carolina Carettin

Caipira e graduanda em Jornalismo. Já quis ser detetive, psicóloga e primeira bailarina do Bolshoi. Desistiu das duas primeiras carreiras, mas ainda dança, nem que seja só a macarena.

Confira também

Pioneira negra, Misty Copeland se torna primeira-bailarina do American Ballet Theater

Misty Copeland estava se tornando a mais famosa bailarina dos EUA -tinha sido capa da ...

Deixe uma resposta